Enter the dog head
   Uma noite

A noite avançava. A maré recuava.Continuava ele olhando apenas o movimento das estrelas no céu. Sim, estava a tanto tempo naquele isolamento (quando seu quarto é o universo aberto, você realmente se sente sozinho) que já havia feito a descoberta que poucos (pensava ele) percebem: as estrelas se movem, vagarosas, mas constantemente. Tantos pensamentos quanto estrelas vagavam. Só que aqueles não possuiam tanto brilho quanto estes, pareciam bem mais vagos, pareciam desejar desaparecerem no oeste. Mas iam devagar, ambos, por mais que desejasse perdê-los.Ou talvez não. Agora parecia ver alguma utilidade ou beleza neles. Desejava tocá-los outra vez. Mas estavam distantes, altos e se movendo, aparentemente correndo agora. Queria que voltassem. Começou a lutar por isso. Mas lembrou-se o quão pequeno era, e quão inútil era seu esforço.   Restou-lhe aceitar e calmamente se deitar na areia. Todos aqueles pequenos grãos, cercando-o, cobrindo-o, envolvendo-o, consolando-o (ou ao menos tentando). Era o presente, lembrando-o que a noite seguia, novas estrelas surgiriam daqueles muitos grãos, não tantas, é bem verdade, mas apenas os mais importantes alcançariam tal promoção. E o céu se encheria.Então o dia chegou, aquela violenta luz convidou-o a se retirar daquele mundo, aceitando o convite (como se houvesse outra opção...) se levantou e percebeu quantas estrelas-do-mar haviam, cercando-o completamente. Foi atrás da origem delas, entrando no mar. Foi. Se foi. Restaram apenas as estrelas.



 Escrito por guilherme às 01h15
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