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Uma noite
A noite avançava. A maré recuava.Continuava ele olhando apenas o movimento das estrelas no céu. Sim, estava a tanto tempo naquele isolamento (quando seu quarto é o universo aberto, você realmente se sente sozinho) que já havia feito a descoberta que poucos (pensava ele) percebem: as estrelas se movem, vagarosas, mas constantemente. Tantos pensamentos quanto estrelas vagavam. Só que aqueles não possuiam tanto brilho quanto estes, pareciam bem mais vagos, pareciam desejar desaparecerem no oeste. Mas iam devagar, ambos, por mais que desejasse perdê-los.Ou talvez não. Agora parecia ver alguma utilidade ou beleza neles. Desejava tocá-los outra vez. Mas estavam distantes, altos e se movendo, aparentemente correndo agora. Queria que voltassem. Começou a lutar por isso. Mas lembrou-se o quão pequeno era, e quão inútil era seu esforço. Restou-lhe aceitar e calmamente se deitar na areia. Todos aqueles pequenos grãos, cercando-o, cobrindo-o, envolvendo-o, consolando-o (ou ao menos tentando). Era o presente, lembrando-o que a noite seguia, novas estrelas surgiriam daqueles muitos grãos, não tantas, é bem verdade, mas apenas os mais importantes alcançariam tal promoção. E o céu se encheria.Então o dia chegou, aquela violenta luz convidou-o a se retirar daquele mundo, aceitando o convite (como se houvesse outra opção...) se levantou e percebeu quantas estrelas-do-mar haviam, cercando-o completamente. Foi atrás da origem delas, entrando no mar. Foi. Se foi. Restaram apenas as estrelas.
Escrito por guilherme às 01h15
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Penumbra
- Como a sombra se forma, professora?
Uma lembrança. Lembrança de um tempo feliz, no qual eu, na verdade, não precisava pensar em de onde vem essa luz, o que é essa sombra, o porquê dessa penumbra. Presa nesse beco, com apenas um poste, distante, com uma luz tênue que luta com cada partícula de escuridão para tentar me alcançar. Me dar esperança. Talvez seja a esperança da partícula de luz que dê-lhe força, energia.
Mas teria eu raiva do beco? Não. Fui eu que cheguei até ele. Antes disso, fui eu quem o construiu. No meu pensamento. No meu relacionamento.
Eu tinha que gostar tanto assim das pessoas? Não, eu não sou perfeita, não amo o mundo inteiro. Aco q expliquei mal. Gosto exageradamente apenas das poucas pessoas dos meus relacionamentos. Sou diferente dos outros. Meus relacionamentos não se definem.
Para amizades, isso é perfeito. Elas são intensamente iluminadas, intensamente reais, intensamente diferentes. E são mais especiais.
Mas minha perdição é outra. Meu labirinto. Acontece quando perco a definição. Perco o referencial.- Quem apagou a luz? Por favor mamãe, eu ainda tenho medo do escuro. O escuro me deixa sozinha.- No escuro eu não vejo ninguém, não vejo meu amor.- Deixa eu dormir com a luz do poste acesa. - Eu te amo demais para ficar sob a luz intensa, sob a luz real, sob a luz diferente. Eu preciso de mais. Outra luz.
Mas você não me entendeu. Ainda me trata como amiga.- Mamãe, posso brincar lá fora com meu amor?- O poste está distante. Por que essa luz não pode ser real?
Estou no beco. Na penumbra. Na indefinição. Sozinha.- Por que você não brinca com as outras crianças, filha? Me deixa brincar com a minha tristeza, mãe.
Eu culpo você, meu querido. Ou não culpo. Você seria capaz de entender? Entender que meu sentimento muda? Mudou. Você é igual a mim. Suas amizades tem mais sentimento. Você ainda acha que sou apenas sua amiga. Essa mais-que-amizade-menos-que-amor é um nome grande demais. Mas não significa nada. eu quero mais luz.
Mas não posso ficar para sempre neste beco. Não vou deixar essa tristeza me consumir. Eu não quero a penumbra, me deixe ficar na escuridão. Pelo menos assim eu não vejo você.
-Mamãe, mamãe, olhe, na rua, os meninos estão brincando de atirar pedras nos postes. Olhe, olhe, acertaram um!
-Como se forma a penumbra, meu amor?
Escrito por guilherme às 19h55
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Sobre alturas e nuvens
Um passo mais alto, um degrau acima. Um pouco mais longe, mais perto das nuvens. Um pouco mais de sonho, um pouco mais de felicidade. Mas cuidado, quanto mais alto, pior a fratura na queda.
Escrito por guilherme às 01h44
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Consequências
Sinto uma terrível dor dentro de mim, incontrolável, porque todo o mal do mundo está dentro do meu corpo. Preciso expelir esse mal, regurgitá-lo, mas não, não posso, porque já faz parte de mim, eu mereço essa dor. Afinal, comi do fruto proibido, aquele doce fruto, e com isso me rebaixei, fui tão fundo quanto podia no poço de desgraça do mundo. Suo intensamente de tanta dor, como se tentasse desesperadamente me livrar, mesmo que gota a gota de tudo isso que me consome, que me mata. Mas não adianta, tudo o que havia de bom em mim foi apodrecido por aquele maldito fruto. Não restam esperanças. Resta-me apenas bater nas portas do inferno e suportar meu castigo por ter tentado viver, por ter tentado ser feliz, por ter alcançado o fruto e o pecado.
Escrito por guilherme às 23h07
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Uma semana
Entre o natal e o ano novo. Época mais cheia da geladeira (para quem pode, é claro) e mais vazia do resto. Pô, essa semana é a mais inútil do calendário. Vazia até de criatividade...
Escrito por guilherme às 20h56
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De alguém sem autoconfiança
Não importa que escolha eu faça diante de uma situação, ou que atitude tome. Eu sempre me arrependo depois...
Por que eu escrevi isso?
Escrito por guilherme às 21h26
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Carta para o pólo norte
Ainda existe natal? Tá certo q o q eu vou falar deve ser meio batido para as brilhantes mentes q visitam esse blog, mas precisava tocar nesse assunto. Principalmente pq realmente não tenho resposta definitiva pra isso. Pra quem é religioso pode até existir significado ainda. Mas e para quem não é? Sobram os presentes e o gordo de vermelho? Mas e para quem pensa e gosta de coisas mais reais então? Não, não pode ser assim. Algum sentimento, algum valor diferente tem q existir, por mais q seja apenas uma data. Lembremo-nos ao menos dos amigos e de quem gostamos em geral então.Coloquem algo além de presentes nas meias das pessoas q vc valoriza. Lembre-as desse valor. Feliz Natal, ou algo mais significativo para todos aqueles de quem gosto.
Escrito por guilherme às 23h27
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Coisas da infância
Cada um é marcado por algo na infância. Seja pra mal ou bem, sempre permanece uma memória. Hoje eu me dedico a falar sobre aqueles q são entremeados por lembranças de jogos. Uma boa parcela pode se lembrar de Mortal Kombat e Street Fighter, mas eu nunca aprendi a jogar esses dois direito. O melhor jogo pra mim é Final Fantasy, mais especificamente o VII (todos são bons, mas esse é fora de série). Quando as pessoas amadurecem, muitas vezes deixam para trás tão valorosa aptidão. Mas eu não deixei (meu e-mail q o diga), e isso q me fez ficar horas esperando baixar o trailer de um filme q é continuação do jogo, tudo isso com internet discada. Amor é amor. Mas a infância ainda faz parte de mim. Pelo menos pra mostrar que eu amadureci.
Escrito por guilherme às 02h15
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